quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

«Pomposo, fanático e quente», por Duarte Braga

Resumo:

Nos «dois Excerptos de Odes», Álvaro de Campos transmite uma verdadeira síntese imagética da tradição literária orientalista europeia, trabalhando conscientemente com uma dimensão estereotípica. Esta ser-lhe-á útil para a apresentação de um Oriente que não é conhecível na sua especificidade histórica e geográfica, e que lhe interessa sobretudo como um símbolo. Se, neste mapa simbólico da civilização, o Ocidente é “tudo o que talvez seja o Futuro”, o Oriente ocupa naturalmente o lugar da origem, uma origem que obedece ao paradigma do arcaico, enquanto a-histórico e primitivo, mas também como locus da sabedoria primordial.

Duarte Drumond Braga é doutorando em Estudos Comparatistas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, investigador do Centro de Estudos Comparatistas da mesma faculdade e bolseiro da FCT. Tem trabalhado sobre representações do Oriente e das religiões da Ásia na literatura de língua portuguesa (Portugal e Goa), bem como sobre literatura portuguesa finissecular e poesia portuguesa contemporânea. O seu projecto de Doutorado analisa a forma como a poesia portuguesa dos séculos XIX e XX tratou a questão do Oriente. Organizou com Paulo Borges o volume de ensaios Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (2007); com Everton V. Machado o colóquio ACT 27 – Goa Portuguesa e Pós-colonial (2012). Actuou como docente na licenciatura em Artes e Culturas Comparadas da FLUL e no Curso de especialização em Filosofia e Estudos Orientais da mesma faculdade.